
The Spirit - O Filme estréia no Brasil nesta sexta-feira, 20 de março, e mesmo acumulando críticas negativas é um filme obrigatório.
Por lory looove
Seis décadas após sua criação pelo gênio dos quadrinhos Will Eisner, a história de Spirit faz sua estréia nos cinemas brasileiros na próxima sexta-feira e, nem de longe deve repetir o sucesso alcançado pelo comic na década de 40. Dirigido por Frank Miller, o filme sobre o detetive mascarado Denny Colt que sobrevive à morte para se tornar um vigilante mascarado em defesa de Central City, traz efeitos especiais, mulheres bonitas em muita ação em um cenário noir futurista. Mesmo assim, amargou um sétimo lugar no final de semana de estréia nos Estados Unidos e acumulou centenas de críticas negativas. Mas o que poderia ter dado errado? O filme seria mesmo tão medíocre a ponto de ter um desempenho tão abaixo do esperado e receber críticas tão negativas? Infelizmente parece que sim.
Desde a primeira imagem divulgada pela produção de Spirit, Frank Miller foi duramente criticado até pelos seus mais ferrenhos fãs. Enquanto uns alertavam para algumas mudanças no tradicional traje do detetive, originalmente azul e agora preto, outros chamavam atenção para a possibilidade do filme ser somente uma recauchutagem de Sin City, também dirigido por Miller. Mas, aparentemente as falhas de Spirit vão além da estética ou da cinematografia: quem assistiu ao filme garante que ele é uma equivocada mistura de ação sem sentido e comédia sem graça que tenta, sem muito sucesso, reproduzir o espírito das histórias de Denny Colt. Nem o elenco, formado por belas garotas e atores de peso foi poupado: para Roger Ebert, respeitado jornalista do Chicago Sun-Times, o filme não possui qualquer traço de emoção humana. “Dizer que os personagens são de papelão é um insulto um material tão útil”, afirmou em uma das reviews mais negativas que o longa recebeu até agora. A parte de direção de arte foi quem mais sofreu ataques, principalmente por Central City ser muito semelhante (demais) a Sin City, mas, ao mesmo tempo, diferente por ser praticamente uma imagem superficial e falsa dela, sendo que em alguns momentos, a cidade que grita parece um monte de caixas de sapato empilhadas.
Miller alterou praticamente todas as características dos personagens de Eisner e sumiu com outras figuras fundamentais para o nascimento do herói, como Ebony White, o garoto negro ajudante de Spirit e o Dr. Cobra.
“Como eu disse, meu desejo nunca foi o de jogar as regras dos anos 40 para o espaço, mas reintroduzir a criação de Eisner, com tecnologia moderna, ao nosso bravo mundo novo.” disse Miller em uma carta aberta enviada aos fãs alguns meses atrás. Na ocasião, ele procurou defender-se das críticas a que vinha sendo alvo e procurou tranqüilizar os fãs da HQ dizendo, principalmente, que não iria tratar Spirit como monumento enferrujado, velho e empoeirado e avisou logo de cara que também faria com que o longa fosse uma extensão do que seria a intenção central de Eisner: criar algo novo, esperto e exploratório. Mas, Miller falhou ao transformar o filme em um noir cheio de femme fatalles, o que definitivamente não é o caso na obra do Will Eisner, muito mais orgânica, sutil e bem humorada.
O roteiro também não ajuda. O diretor optou por misturar três histórias todas escritas por Eisner nos anos 40 e 50, dando ênfase a “Sand Saref”, uma das primeiras tiras de jornal de Spirit, publicada em 8 de janeiro de 1950. Repleta de aventura romance e espionagem é nela que Eisner nos é apresenta o primeiro amor da vida de Spirit, Sand Saref, quem o levou a vida do crime e quem o trouxe para o lado da justiça. No filme, tudo isso vira uma salada desnecessária de croma keys e personagens caricatos que muitas vezes se perdem no plano.
O filme não funciona nem como um blockbuster, já que a maioria de suas cenas é descartável para o contexto, nem tudo é plástico e funciona, prova irrefutável que não basta ser um talentoso criador de quadrinhos para de uma hora para outra, virar diretor de cinema. As coisas não são assim tão fáceis. Mas mesmo assim, aconselho a você assistir ao filme. Mesmo que, ao final, você saia xingando. O mérito de Spirit é, tão somente, resgatar um personagem tão forte, que de uma maneira ou outra, acabou se perdendo com o passar dos tempos.
QUEM É QUEM EM THE SPIRIT
Spirit (Gabriel Macht) - O detetive Denny Colt volta da morte como o herói mascarado que defende Central City. A caracterização de Macht é muito parecida com o protagonista da HQ, mas há diferenças: a cor do terno mudou de azul para preto. Segundo Miler, manter o traje azul fez com que nas telas Spirit parecesse um convidado desafortunado numa festa de Halloween. “O negro traz de volta o seu mistério essencial, seu estilo sexy como o Zorro. E ainda faz aquela gravata vermelha dele ficar muito, muito mais legal” disse em uma carta aberta aos fãs.
Outra mudança significativa no traje de Spirit são seus pés: ele agora usa tênis, numa propaganda embutida da All Star.
Sand Saref (Eva Mendes) – A personagem mais fiel à HQ, Sand Saref é a paixão de infância de Denny Colt, e sabe que ele é Spirit. Está sempre envolvida em algum esquema criminoso e adora jóias – a busca por uma a leva de volta a Central City.
Octopus (Samuel L. Jackson)
O arquiinimigo de Spirit mudou muito em relação à HQ, em que era o gênio do crime, estava sempre de luvas e nunca mostrava o rosto. Virou um cientista maluco, que mostra sua face e adora fantasias, de samurai a nazista.
Silken Floss (Scarlett Johansson)
Frank Miller reescreveu o papel para Scarlett. A médica de meia-idade, sexualmente reprimida, virou uma jovem doidinha, ajudante de Octopus.
Comissário Dolan (Dan Lauria)
O chefe de polícia também sabe da identidade secreta de Spirit. Mantém no cinema a personalidade ranzinza da HQ. E para aqueles que estão na dúvida, sim! Dan Lauria era o pai de Kevin no seriado Anos Incríveis.
Ellen Dolan (Sarah Paulson)
A filha do comissário, também enamorada por Spirit, virou uma cirurgiã que vive costurando o herói após suas inúmeras sessões de pancadaria com Octopus.
Plaster de Paris (Paz Veja)
Caso antigo de Spirit, a bailarina assassina aparece em uma única cena, fazendo sua “dança da adaga” numa seqüência idêntica à da história original que leva seu nome.
QUEM SUMIU
Ebony White - O garoto negro, ajudante de Spirit, não existe no filme. Explica-se: sua caracterização caricatural na HQ era espaço para piadas racistas. Mesmo assim sua ausência é um erro terrível, principalmente porque a personagem tem papel importante no “nascimento” de Spirit
P’Gell
Femme fatale que montou um império do crime em Istambul ao se casar com homens ricos e depois matá-los. No filme, seu poder de sedução foi passado a Sand Saref.
Dr. Cobra
O cientista maluco por trás da origem de Spirit teve características incorporadas por Octopus. Pena.








